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Sou a poesia que me habita.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Biruta

Amor louco-vento
Envolvente, me leva e me traz
Homem força-centro
Em suas tramas, eu acredito na paz

Promete que voaremos pelo mundo
Eu no manche, ele ao lado
Assistindo, como se um filme eu fosse
Sem me pedir nada além de que eu ficasse
Sempre perto, ao alcance do seu olho

Mas seu coração não conseguiu acreditar
Em outro porto resolveu ancorar
Escolheu não mais me olhar
Um querer absorto me deixar

segunda-feira, 20 de junho de 2011

peixe virado touro

como há de se entender
um ser de tanto querer
sem sequer perceber
em gelo se verter

é de muito se estranhar
alguém que vivia no mar
de sentir e desejar
de repente oco ficar

coisa que não é daqui
efeito dos astros, ouvi
lua em peixes, nasci
mas roupa de touro, vesti

por Deus que não é para sempre
há de ser este ano somente
tanto frio assim não é de gente
mas há de ser bom para a mente

segunda-feira, 13 de junho de 2011

lá e cá

a onda vem de sopetão
e sem cerimônia
joga tudo no turbilhão

firmeza para se segurar
sacode pra lá e pra cá
testando o suportar

foco para resolver a confusão
lembrar do que tem valor
sair da falsa solidão

compaixão pelo próximo
confiança nos sonhos
abertura para as bênçãos

o desconforto vai passando
o amor se apropriando
dos espaços que são abertos

descontração e alegria
intimidade e união
risadas e olhares a florir

pausa para o externo
momento de consultas
novas energias e distrações

aparece um novo olhar
uma cobrança para acelerar
a desaceleração, que está em seu lugar

ferem acordes dissonantes
imposição perfurando a aceitação
desarmonia em profusão

mental e verbo instaurados
coração ensurdecido, apertado
já não há compreensão

de dentro emerge a pacificação
brota do olho a água salgada
trazendo a percepção

o novo vem surgindo
naturalmente, sem pressão
genuíno fluxo contínuo

respeito e reconhecimento
acolhendo os presentes
que nutrem a transformação