Pontos pardos
Espalhados
Disformes
Perdidos
Num mar de leite
Branco
Claro
Que navego
Arredia
Sem pressa
Para encontrar
Seu ápice
Sem perceber
Que tudo
Em você
É meu clímax
O que tua ruivice sardenta tem
Que me deixa assim
Eu não sei
Mas não me canso
De procurar descobrir
Sou a poesia que me habita.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Saindo da caixa
O amor é feito de trocas
De olhares
De memórias
De seres
Que ficam porque são nossos
Por menos que queiramos
E quanto menos desejamos
Para si
Para fora nos viramos
Nos reviramos do avesso
Para superar o egoísmo
Para transcendermos a posse
Saímos da caixa
Quebramos os padrões
Para amar
E desejar a felicidade
E só
De olhares
De memórias
De seres
Que ficam porque são nossos
Por menos que queiramos
E quanto menos desejamos
Para si
Para fora nos viramos
Nos reviramos do avesso
Para superar o egoísmo
Para transcendermos a posse
Saímos da caixa
Quebramos os padrões
Para amar
E desejar a felicidade
E só
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Fogo
Eu vou e você fica
Fica aqui o meu desejo
O que pude e o que não pude realizar
O que vivi e o que não pude experimentar
Fui deixando por deixar
E já não é tempo de voltar
Levo a saudade de descobrir
Um novo mundo para mim se abrir
Uma parte de mim vai
Uma parte de mim parte
Como nunca, te desejarei
Como nunca imaginei
Iniciado não brinca com fogo
Se entrega ao seu poder
Para se transformar
Fica aqui o meu desejo
O que pude e o que não pude realizar
O que vivi e o que não pude experimentar
Fui deixando por deixar
E já não é tempo de voltar
Levo a saudade de descobrir
Um novo mundo para mim se abrir
Uma parte de mim vai
Uma parte de mim parte
Como nunca, te desejarei
Como nunca imaginei
Iniciado não brinca com fogo
Se entrega ao seu poder
Para se transformar
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Eixo ao vento
O que eu quero desse vento inebriante
Que me deixa zonza
De me esquecer
Porque me deixo levar nesta corrente
Rodopiando louca
Sem nem perceber
Que prazer há em não estar
Em me jogar
Em desconectar
Será que é um respiro
Um contraponto
De tanto me cobrar
É preciso perder o eixo
Pra me desprender
De tanto pensar
Se tanta força faço
Pra te esquecer
Porque simplesmente não paro
De tentar entender
Deixa estar
Sua presença fica
Sem saber, me ensina
Que me deixa zonza
De me esquecer
Porque me deixo levar nesta corrente
Rodopiando louca
Sem nem perceber
Que prazer há em não estar
Em me jogar
Em desconectar
Será que é um respiro
Um contraponto
De tanto me cobrar
É preciso perder o eixo
Pra me desprender
De tanto pensar
Se tanta força faço
Pra te esquecer
Porque simplesmente não paro
De tentar entender
Deixa estar
Sua presença fica
Sem saber, me ensina
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Super eu
já quis fazer tudo diferente
tudo melhor
tudo perfeito
instisfeita que eu era
com o que eu era
queria sempre ir além
ser além
hoje não
não quero mais nada
nada além do que é
do que eu sou
errando ou acertando
quero ser eu
genuinamente eu
para ter o que é meu
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Traduzir-me
Se a Cultura
Que me permeia
Não permite
Que eu fale
Eu mudo
Me mudo
De lugar
De língua
De cultura
Mudo
Para não ficar
Muda
Que me permeia
Não permite
Que eu fale
Eu mudo
Me mudo
De lugar
De língua
De cultura
Mudo
Para não ficar
Muda
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Eu te amo
Mas tenho que ir
Por favor, entenda
Procure sorrir
É tempo de partir
Estou inteira
E te deixo inteiro
Integrados estamos
Num mútuo existir
Eu te sinto ainda
Por dentro, intenso
Sei que me sente
Mas tenho que sair
A expansão aconteceu
Mas então parou
Por medo, paramos
Mas é preciso seguir
Por amor, aceite
É tempo de ser feliz
Purificar o que não queremos
Para o novo, se abrir
Por favor, entenda
Procure sorrir
É tempo de partir
Estou inteira
E te deixo inteiro
Integrados estamos
Num mútuo existir
Eu te sinto ainda
Por dentro, intenso
Sei que me sente
Mas tenho que sair
A expansão aconteceu
Mas então parou
Por medo, paramos
Mas é preciso seguir
Por amor, aceite
É tempo de ser feliz
Purificar o que não queremos
Para o novo, se abrir
domingo, 26 de agosto de 2012
Teflon na aura
Bateu
Pegou
Doeu
Frustou
Coçou a aura
Mas não pegou
Deixei passar
Transmutei
Aikidozei
Desloquei
Respirei
Me livrei
Sem apego
Não é meu
Deixa rolar
Já foi pra ser
Pegou
Doeu
Frustou
Coçou a aura
Mas não pegou
Deixei passar
Transmutei
Aikidozei
Desloquei
Respirei
Me livrei
Sem apego
Não é meu
Deixa rolar
Já foi pra ser
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Sou
Amo
Profunda e intensamente
Visceralmente
Sonho
Sem contudos nem poréns
Mas tresloucadamente
Entrego
O que tenho e o que não tenho
Inconseqüentemente
Caio
Acordo frustada, chocada
Fragilizadamente
Reconheço
Amo, sonho, entrego, caio
Verdadeiramente
Profunda e intensamente
Visceralmente
Sonho
Sem contudos nem poréns
Mas tresloucadamente
Entrego
O que tenho e o que não tenho
Inconseqüentemente
Caio
Acordo frustada, chocada
Fragilizadamente
Reconheço
Amo, sonho, entrego, caio
Verdadeiramente
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Só o que é
Eu vou, você fica
Ancora
Quanto mais preciso aprender
Mais você me ensina
Mostra que a vida é feita de sonhos
Mas ainda mais de fatos
Atos que observamos
Quando escolhemos ver
Vejo o que se mostra sem julgar
Praticando a aceitação
Assim me lapido por dentro
Vivendo a transmutação
Ancora
Quanto mais preciso aprender
Mais você me ensina
Mostra que a vida é feita de sonhos
Mas ainda mais de fatos
Atos que observamos
Quando escolhemos ver
Vejo o que se mostra sem julgar
Praticando a aceitação
Assim me lapido por dentro
Vivendo a transmutação
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Tecelagem do ser
Cada amor
Um sonho
Cada homem
Um plano
Cada olhar
Uma vida
Cada ser
Um ser
Que nasce e renasce
Refazendo a trama
Trocando a roupagem
Tecendo sua história
Um sonho
Cada homem
Um plano
Cada olhar
Uma vida
Cada ser
Um ser
Que nasce e renasce
Refazendo a trama
Trocando a roupagem
Tecendo sua história
terça-feira, 17 de julho de 2012
Despertar
Eu prefiro estar desperta
Quando o vento da paixão me arrebatar
Quando meu olhos não quiserem nada além de te olhar
Quando meu corpo só desejar a ti se entregar
Eu escolho estar presente
Para sentir meu pelo se arrepiar
Para te sentir na minha pele
Para sonhar de acordar
Eu desejo estar alerta
Para lembrar que voce é um presente
Para que através de ti eu possa me ver
Para que te amando eu me ame em mim
Quando o vento da paixão me arrebatar
Quando meu olhos não quiserem nada além de te olhar
Quando meu corpo só desejar a ti se entregar
Eu escolho estar presente
Para sentir meu pelo se arrepiar
Para te sentir na minha pele
Para sonhar de acordar
Eu desejo estar alerta
Para lembrar que voce é um presente
Para que através de ti eu possa me ver
Para que te amando eu me ame em mim
domingo, 8 de julho de 2012
Dança
Tu me convidas
A esquecer o futuro
Os planos
As projeções
Deixar meu coração me guiar
Eu te convido
A esquecer o passado
Os traumas
Os erros
Deixar teu coração te guiar
Neste presente
Nos encontramos
Abertos, aceitamos
E nos entregamos
Nus, nada é dito
Apenas estamos
E dançamos
Uma música inédita
A esquecer o futuro
Os planos
As projeções
Deixar meu coração me guiar
Eu te convido
A esquecer o passado
Os traumas
Os erros
Deixar teu coração te guiar
Neste presente
Nos encontramos
Abertos, aceitamos
E nos entregamos
Nus, nada é dito
Apenas estamos
E dançamos
Uma música inédita
domingo, 1 de julho de 2012
Ego
Mosaico de experiências
Herança de sensações
Catalisador de energias
Apanhado de impressões
Rastro do que passei
Reflexos do que vi
Traumas que vivi
Lições que aprendi
Na encruzilhada do destino
Passei por onde escolhi
Ainda assim, me desatino
Nada que tenho pertence a mim
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Inesperadamente, eu
Na base da confiança
Finquei minha andança
Nos passos de uma criança
Que dança e se balança
Fui pulando de galho em galho
Criando raízes, aqui e ali
brotando flores, colhendo frutos e virando semente
Até voar, de pernas pro ar
Vim parar aqui, sem pensar
Foi o que escolhi, não pensar
Viver o presente e deixar
A vida livre pra me guiar
Então o passado redescobri
Meu ar adolescente, pueril
Músicas e sonhos, revivi
Em novo contexto, mais sutil
No vento, me reinvento
Sem medo sigo, é um outro momento
Mais madura, mais apurada
Não vou cair na mesma furada
Pra manter a pegada
O canal é estar conectada
Sintonizada, esqueço a preocupação
Pra minha natureza dar vazão
Pro passado, peço perdão
Pro futuro, proteção
Ampliando fronteiras, vou seguindo meu destino
Agradeço aos presentes que vou ganhando no caminho
Meu compromisso, já está estabelecido
Vou ser feliz, está decidido
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Caso
Eu poderia me casar com você
E fazer acontecer
Aquilo que ontem desejei
Poderia me adaptar
Me conformar
Num novo gerar
Mas esse renov-ar passou
Já provei o feminino
De investir em compartilhar
Agora me reencontrei
Minha raiz aventureira
Quer o mundo desbravar
E fazer acontecer
Aquilo que ontem desejei
Poderia me adaptar
Me conformar
Num novo gerar
Mas esse renov-ar passou
Já provei o feminino
De investir em compartilhar
Agora me reencontrei
Minha raiz aventureira
Quer o mundo desbravar
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Mais além
Quero o gosto de noite na boca do novo
O olhar da lua sorrindo misteriosa
O cheiro cítrico do escuro úmido
Quero o frescor do orvalho beijando a alvorada
Quero o sol que desperta meu caminhar
Vou me perder na floresta para encontrar outras eus
E sair maior, inteira
Vou mergulhar, vou voar
Até onde a vista não alcançar
E só o pulsar puder me guiar
Lanço-me ao desconhecido
Levando apenas um bem na bagagem
A vontade de ir além
O olhar da lua sorrindo misteriosa
O cheiro cítrico do escuro úmido
Quero o frescor do orvalho beijando a alvorada
Quero o sol que desperta meu caminhar
Vou me perder na floresta para encontrar outras eus
E sair maior, inteira
Vou mergulhar, vou voar
Até onde a vista não alcançar
E só o pulsar puder me guiar
Lanço-me ao desconhecido
Levando apenas um bem na bagagem
A vontade de ir além
domingo, 1 de abril de 2012
Transição
Acostumei
a te ver nos meus olhos
A te sentir na minha boca
A te ter nos meus braços
Eu abro mão do passado
Eu abro mão do apego
Eu abro mão de querer
Eu abro mão do medo
Eu aceito o novo
Eu aceito a realidade
Eu aceito o diferente
Eu aceito a Sua vontade
Aprendo
A olhar mais alto
A sentir mais profundo
E a abraçar mais amplo
a te ver nos meus olhos
A te sentir na minha boca
A te ter nos meus braços
Eu abro mão do passado
Eu abro mão do apego
Eu abro mão de querer
Eu abro mão do medo
Eu aceito o novo
Eu aceito a realidade
Eu aceito o diferente
Eu aceito a Sua vontade
Aprendo
A olhar mais alto
A sentir mais profundo
E a abraçar mais amplo
terça-feira, 27 de março de 2012
Flor que brota fruto
Pinga, molha
Vaza, transborda
Sou banhada por essa emoção
Que me despetala o coração
Menino, homem
Forte, frágil
Tanto aprendi com você
E tanto me ensinou
Com você vivi meus maiores sonhos
E enfrentei meus maiores medos
Salto que dei em direção a mim mesma
Semente de um auto-conhecimento tão profundo
Tudo como você sentia
Tudo como me dizia
Tudo como aprendi a ouvir
Tudo como aprendi a sentir
Tudo exatamente o que tinha que ser
Estava certa sua percepção
Personificação da minha transformação
Me entreguei de corpo e alma a tudo
Que queria e que não queria
Até abandonar o querer
Para realmente ser
A existência
Alma virada do avesso
Me perdi completamente
Até que só restava
Me encontrar
E me ver
Hoje sou outra
Muito mais serena
Não porque o mar está calmo
Mas porque aprendi a navegar na tempestade
Muitas vezes, sem saber
Você me conduziu à verdade
Apenas por viver sempre na verdade
Agradeço por você ter sempre sido
Simplesmente e precisamente
Somente e tudo o que você é
Flor que faz brotar frutos
Alavanca desta luz
Manifestação do presente
Sou infinitamente grata
E retribuo com meu amor eterno e incondicional
Vaza, transborda
Sou banhada por essa emoção
Que me despetala o coração
Menino, homem
Forte, frágil
Tanto aprendi com você
E tanto me ensinou
Com você vivi meus maiores sonhos
E enfrentei meus maiores medos
Salto que dei em direção a mim mesma
Semente de um auto-conhecimento tão profundo
Tudo como você sentia
Tudo como me dizia
Tudo como aprendi a ouvir
Tudo como aprendi a sentir
Tudo exatamente o que tinha que ser
Estava certa sua percepção
Personificação da minha transformação
Me entreguei de corpo e alma a tudo
Que queria e que não queria
Até abandonar o querer
Para realmente ser
A existência
Alma virada do avesso
Me perdi completamente
Até que só restava
Me encontrar
E me ver
Hoje sou outra
Muito mais serena
Não porque o mar está calmo
Mas porque aprendi a navegar na tempestade
Muitas vezes, sem saber
Você me conduziu à verdade
Apenas por viver sempre na verdade
Agradeço por você ter sempre sido
Simplesmente e precisamente
Somente e tudo o que você é
Flor que faz brotar frutos
Alavanca desta luz
Manifestação do presente
Sou infinitamente grata
E retribuo com meu amor eterno e incondicional
sexta-feira, 23 de março de 2012
Como
Como você poderia me conhecer
Se nem eu me conhecia
Se minhas ações se transvestiam de ideais
E minhas falas se perdiam nas intenções
Como você poderia me ver
Se o que mais havia entre
Eram nuvens de desejos
E eu, como te saberia
Se tudo que entendia
Era o que de belo cabia nos meus sonhos
E o que não fosse
Era perdoado e esquecido
Agora já não
Foi-se o véu da imaginação
Brota a imagem da visão
Do que é verdadeiro
Não porque quero
Nem porque é belo
Sem julgamento
Nem culpados
Só o que é
Simples e real
Se nem eu me conhecia
Se minhas ações se transvestiam de ideais
E minhas falas se perdiam nas intenções
Como você poderia me ver
Se o que mais havia entre
Eram nuvens de desejos
E eu, como te saberia
Se tudo que entendia
Era o que de belo cabia nos meus sonhos
E o que não fosse
Era perdoado e esquecido
Agora já não
Foi-se o véu da imaginação
Brota a imagem da visão
Do que é verdadeiro
Não porque quero
Nem porque é belo
Sem julgamento
Nem culpados
Só o que é
Simples e real
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Louca de coração
Mais um salto
Mais um vôo
Mais um sonho
Mais um tombo
No chão
Estabacada
Começo a sofrer
Mas por quê?
Por que se arrepender
se foi tudo tão bom?
Por que me conformar,
Negar minha loucura?
Se fui
Sou
Serei
Sempre
Eu
Mais um vôo
Mais um sonho
Mais um tombo
No chão
Estabacada
Começo a sofrer
Mas por quê?
Por que se arrepender
se foi tudo tão bom?
Por que me conformar,
Negar minha loucura?
Se fui
Sou
Serei
Sempre
Eu
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
De partidas e inteirezas
No meio de uma floresta, muito muito longe de qualquer cidade, vivia uma comunidade de pássaros. Eram muitos, de todos os tipos e idades, cada um com as suas cores e os seus cantos.
Lá, no meio de uma árvore bem alta, vivia uma coruja de olhos estrelados. Muito séria e muito sabida, ela ficava muito tempo quieta, até que chegava alguém para conversar com ela. Daí, ela falava. E muito. Principalmente quando lhe faziam perguntas. Ah, a Coruja fazia longas palestras, detalhadas, sobre tudo o que sabia. E sobre o que não sabia, se arriscava. Porque, pensava ela, antes uma pássara sabida, adivinhando, do que um tolo qualquer, inventando.
A casa da Coruja era muito especial. Uma bela fenda que a Fortuna tinha tratado de fazer em uma das árvores mais frondosas da floresta. Toda decorada e arrumada a seu gosto, tinha bastante espaço e conforto para si e para suas visitas, que não eram poucas. A Coruja era mesmo muito querida e respeitada. Vivia só, por escolha, porque gostava de poder escolher o silêncio quando quisesse. Mas, sentia que aquilo não era tudo, que a vida esperava um pouquinho mais dela. Um companheiro, quem sabe, poderia ajudar a Coruja a ir um pouquinho mais longe. Ou melhor, mais fundo.
É, e a Coruja conhecia muitos pássaros. Muitos interessantes e muitos interessados. Mas a coincidência de interesses não acontecia facilmente. Então, a Coruja esperava, paciente e contente com sua vida. Estava certa de que o que fosse para acontecer, aconteceria na hora certa.
E foi numa virada de ano. Muitos amigos pássaros estavam reunidos, a maioria, velhos conhecidos. Um passarinho Curió em especial, muito atraente e talentoso insistia em chamar sua atenção. A Coruja retribuía, atenciosa, mas achava que daquilo nada mais se daria. Até que uma certa hora, quase no fim das festas, o passarinho se achegou numa conversa da Coruja com um casal de amigos, o Tucano e a Beija-flor, e perguntou para eles: Ei, me diga aí, como é que vocês se beijam? Nem me perguntem o porquê, mas aquilo mexeu com a Coruja. A respiração parou, o coração disparou enquanto suas bochechas vermelhas entregavam a situação... Sabe lá Deus que foi que houve, mas a Coruja começou a olhar aquele Curió com outros olhos.
Além da beleza e talentos evidentes, a Coruja foi notando que o Curió era pássaro bom, de coração nobre. Seu olhar curioso vinha de uma ingenuidade genuína, que já passava da hora de tê-la perdido, mas que a Providência permitiu que a conservasse, quem sabe para a vida inteira. Curió era também muito íntegro e trabalhador. Gostava de estar junto, ajudando. E do seu olhar observador, presente, brotava uma graça, de fazer os outros pássaros rirem e sorrirem. A Coruja foi gostando mesmo do Curió e Curió foi gostando mais da coruja.
Curió continuou se aproximando e a Coruja foi deixando ele chegar cada vez mais perto. Curió já vivia mais com a Coruja do que em qualquer outro lugar, quando resolveu de mudar de vez para junto da Coruja. Não que Curió e Coruja fosse assim casal muito comum, mas vai entender os mistérios desta vida.
A Coruja, feliz que era de viver só, foi se acostumando aos poucos com o novo presente. O passarinho era alegre e a Coruja foi gostando cada vez mais de morar com ele. Mas Curió é pássaro de voar solto e disso a Coruja não sabia. De coração tão verdadeiro e fiel, a Coruja achou que o Curió queria mais era sossegar-se por lá. Qual o quê?!? Curió é pássaro que não tem dono. Pode até ter uma só pousada, mas não pode prometer nada. É pássaro desprendido.
Nem Curió sabia direito o que incomodava, quando as coisas começaram a ficar estranhas. A inquietude foi crescendo no peito dos dois. Curió queria sair, mas gostava da Coruja. A Coruja queria que o Curió ficasse, mas amava demais a Liberdade para prendê-lo.
De tanto um querer manter o que o outro quer mudar, a coisa explodiu e Curió falou: eu vou. E foi de saída. Mas, chegando na porta, parou. Virou e olhou para a Coruja, parada, paralisada. A Coruja fechou os olhos, respirou e aceitou. Abrindo os olhos, ergueu a asa direita e acenou um tchau curto. Curió voou. Coruja foi até a janela para ver o vôo bonito do Curió.
... e lá do alto, a Coruja de olhos estrelados falou: "vai, Curió, voa, que esse céu é seu, vai buscar as luzes que colorem a sua alma. E, quando assim desejar, volte, passarinho, para se nutrir da sua própria fonte, que este ninho também é seu".
E Curió entendeu que podia ir, sem partir. E foi. E voltou. Livre. Inteiro.
Lá, no meio de uma árvore bem alta, vivia uma coruja de olhos estrelados. Muito séria e muito sabida, ela ficava muito tempo quieta, até que chegava alguém para conversar com ela. Daí, ela falava. E muito. Principalmente quando lhe faziam perguntas. Ah, a Coruja fazia longas palestras, detalhadas, sobre tudo o que sabia. E sobre o que não sabia, se arriscava. Porque, pensava ela, antes uma pássara sabida, adivinhando, do que um tolo qualquer, inventando.
A casa da Coruja era muito especial. Uma bela fenda que a Fortuna tinha tratado de fazer em uma das árvores mais frondosas da floresta. Toda decorada e arrumada a seu gosto, tinha bastante espaço e conforto para si e para suas visitas, que não eram poucas. A Coruja era mesmo muito querida e respeitada. Vivia só, por escolha, porque gostava de poder escolher o silêncio quando quisesse. Mas, sentia que aquilo não era tudo, que a vida esperava um pouquinho mais dela. Um companheiro, quem sabe, poderia ajudar a Coruja a ir um pouquinho mais longe. Ou melhor, mais fundo.
É, e a Coruja conhecia muitos pássaros. Muitos interessantes e muitos interessados. Mas a coincidência de interesses não acontecia facilmente. Então, a Coruja esperava, paciente e contente com sua vida. Estava certa de que o que fosse para acontecer, aconteceria na hora certa.
E foi numa virada de ano. Muitos amigos pássaros estavam reunidos, a maioria, velhos conhecidos. Um passarinho Curió em especial, muito atraente e talentoso insistia em chamar sua atenção. A Coruja retribuía, atenciosa, mas achava que daquilo nada mais se daria. Até que uma certa hora, quase no fim das festas, o passarinho se achegou numa conversa da Coruja com um casal de amigos, o Tucano e a Beija-flor, e perguntou para eles: Ei, me diga aí, como é que vocês se beijam? Nem me perguntem o porquê, mas aquilo mexeu com a Coruja. A respiração parou, o coração disparou enquanto suas bochechas vermelhas entregavam a situação... Sabe lá Deus que foi que houve, mas a Coruja começou a olhar aquele Curió com outros olhos.
Além da beleza e talentos evidentes, a Coruja foi notando que o Curió era pássaro bom, de coração nobre. Seu olhar curioso vinha de uma ingenuidade genuína, que já passava da hora de tê-la perdido, mas que a Providência permitiu que a conservasse, quem sabe para a vida inteira. Curió era também muito íntegro e trabalhador. Gostava de estar junto, ajudando. E do seu olhar observador, presente, brotava uma graça, de fazer os outros pássaros rirem e sorrirem. A Coruja foi gostando mesmo do Curió e Curió foi gostando mais da coruja.
Curió continuou se aproximando e a Coruja foi deixando ele chegar cada vez mais perto. Curió já vivia mais com a Coruja do que em qualquer outro lugar, quando resolveu de mudar de vez para junto da Coruja. Não que Curió e Coruja fosse assim casal muito comum, mas vai entender os mistérios desta vida.
A Coruja, feliz que era de viver só, foi se acostumando aos poucos com o novo presente. O passarinho era alegre e a Coruja foi gostando cada vez mais de morar com ele. Mas Curió é pássaro de voar solto e disso a Coruja não sabia. De coração tão verdadeiro e fiel, a Coruja achou que o Curió queria mais era sossegar-se por lá. Qual o quê?!? Curió é pássaro que não tem dono. Pode até ter uma só pousada, mas não pode prometer nada. É pássaro desprendido.
Nem Curió sabia direito o que incomodava, quando as coisas começaram a ficar estranhas. A inquietude foi crescendo no peito dos dois. Curió queria sair, mas gostava da Coruja. A Coruja queria que o Curió ficasse, mas amava demais a Liberdade para prendê-lo.
De tanto um querer manter o que o outro quer mudar, a coisa explodiu e Curió falou: eu vou. E foi de saída. Mas, chegando na porta, parou. Virou e olhou para a Coruja, parada, paralisada. A Coruja fechou os olhos, respirou e aceitou. Abrindo os olhos, ergueu a asa direita e acenou um tchau curto. Curió voou. Coruja foi até a janela para ver o vôo bonito do Curió.
... e lá do alto, a Coruja de olhos estrelados falou: "vai, Curió, voa, que esse céu é seu, vai buscar as luzes que colorem a sua alma. E, quando assim desejar, volte, passarinho, para se nutrir da sua própria fonte, que este ninho também é seu".
E Curió entendeu que podia ir, sem partir. E foi. E voltou. Livre. Inteiro.
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