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Sou a poesia que me habita.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Sardas ardentes

Pontos pardos
Espalhados
Disformes
Perdidos
Num mar de leite
Branco
Claro
Que navego
Arredia
Sem pressa
Para encontrar
Seu ápice
Sem perceber
Que tudo
Em você
É meu clímax

O que tua ruivice sardenta tem
Que me deixa assim
Eu não sei
Mas não me canso
De procurar descobrir

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Saindo da caixa

O amor é feito de trocas
De olhares
De memórias
De seres

Que ficam porque são nossos
Por menos que queiramos
E quanto menos desejamos
Para si

Para fora nos viramos
Nos reviramos do avesso
Para superar o egoísmo
Para transcendermos a posse

Saímos da caixa
Quebramos os padrões
Para amar
E desejar a felicidade

E só

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Fogo

Eu vou e você fica

Fica aqui o meu desejo
O que pude e o que não pude realizar
O que vivi e o que não pude experimentar

Fui deixando por deixar
E já não é tempo de voltar
Levo a saudade de descobrir
Um novo mundo para mim se abrir

Uma parte de mim vai
Uma parte de mim parte
Como nunca, te desejarei
Como nunca imaginei

Iniciado não brinca com fogo
Se entrega ao seu poder
Para se transformar



sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Eixo ao vento

O que eu quero desse vento inebriante
Que me deixa zonza
De me esquecer

Porque me deixo levar nesta corrente
Rodopiando louca
Sem nem perceber

Que prazer há em não estar
Em me jogar
Em desconectar

Será que é um respiro
Um contraponto
De tanto me cobrar

É preciso perder o eixo
Pra me desprender
De tanto pensar

Se tanta força faço
Pra te esquecer
Porque simplesmente não paro
De tentar entender

Deixa estar
Sua presença fica
Sem saber, me ensina

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Super eu


já quis fazer tudo diferente
tudo melhor
tudo perfeito

instisfeita que eu era
com o que eu era
queria sempre ir além
ser além

hoje não
não quero mais nada
nada além do que é
do que eu sou

errando ou acertando
quero ser eu
genuinamente eu

para ter o que é meu

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Traduzir-me

Se a Cultura
Que me permeia
Não permite
Que eu fale
Eu mudo
Me mudo
De lugar
De língua
De cultura
Mudo
Para não ficar
Muda

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Eu te amo

Mas tenho que ir
Por favor, entenda
Procure sorrir
É tempo de partir

Estou inteira
E te deixo inteiro
Integrados estamos
Num mútuo existir

Eu te sinto ainda
Por dentro, intenso
Sei que me sente
Mas tenho que sair

A expansão aconteceu
Mas então parou
Por medo, paramos
Mas é preciso seguir

Por amor, aceite
É tempo de ser feliz
Purificar o que não queremos
Para o novo, se abrir

domingo, 26 de agosto de 2012

Teflon na aura

Bateu
Pegou
Doeu
Frustou

Coçou a aura
Mas não pegou
Deixei passar
Transmutei

Aikidozei
Desloquei
Respirei
Me livrei

Sem apego
Não é meu
Deixa rolar
Já foi pra ser

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Sou

Amo
Profunda e intensamente
Visceralmente

Sonho
Sem contudos nem poréns
Mas tresloucadamente

Entrego
O que tenho e o que não tenho
Inconseqüentemente

Caio
Acordo frustada, chocada
Fragilizadamente

Reconheço
Amo, sonho, entrego, caio
Verdadeiramente

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Só o que é

Eu vou, você fica
Ancora
Quanto mais preciso aprender
Mais você me ensina

Mostra que a vida é feita de sonhos
Mas ainda mais de fatos
Atos que observamos
Quando escolhemos ver

Vejo o que se mostra sem julgar
Praticando a aceitação
Assim me lapido por dentro
Vivendo a transmutação

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Tecelagem do ser

Cada amor
Um sonho
Cada homem
Um plano

Cada olhar
Uma vida
Cada ser
Um ser

Que nasce e renasce
Refazendo a trama
Trocando a roupagem
Tecendo sua história

terça-feira, 17 de julho de 2012

Despertar

Eu prefiro estar desperta
Quando o vento da paixão me arrebatar
Quando meu olhos não quiserem nada além de te olhar
Quando meu corpo só desejar a ti se entregar

Eu escolho estar presente
Para sentir meu pelo se arrepiar
Para te sentir na minha pele
Para sonhar de acordar

Eu desejo estar alerta
Para lembrar que voce é um presente
Para que através de ti eu possa me ver
Para que te amando eu me ame em mim

domingo, 8 de julho de 2012

Dança

Tu me convidas
A esquecer o futuro
Os planos
As projeções
Deixar meu coração me guiar

Eu te convido
A esquecer o passado
Os traumas
Os erros
Deixar teu coração te guiar

Neste presente
Nos encontramos
Abertos, aceitamos
E nos entregamos

Nus, nada é dito
Apenas estamos
E dançamos
Uma música inédita

domingo, 1 de julho de 2012

Ego


Mosaico de experiências
Herança de sensações
Catalisador de energias
Apanhado de impressões

Rastro do que passei
Reflexos do que vi
Traumas que vivi
Lições que aprendi

Na encruzilhada do destino
Passei por onde escolhi
Ainda assim, me desatino
Nada que tenho pertence a mim

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Inesperadamente, eu


Na base da confiança
Finquei minha andança
Nos passos de uma criança
Que dança e se balança

Fui pulando de galho em galho
Criando raízes, aqui e ali
brotando flores, colhendo frutos e virando semente
Até voar, de pernas pro ar

Vim parar aqui, sem pensar
Foi o que escolhi, não pensar
Viver o presente e deixar
A vida livre pra me guiar

Então o passado redescobri
Meu ar adolescente, pueril
Músicas e sonhos, revivi
Em novo contexto, mais sutil

No vento, me reinvento
Sem medo sigo, é um outro momento

Mais madura, mais apurada
Não vou cair na mesma furada
Pra manter a pegada
O canal é estar conectada

Sintonizada, esqueço a preocupação
Pra minha natureza dar vazão
Pro passado, peço perdão
Pro futuro, proteção

Ampliando fronteiras, vou seguindo meu destino
Agradeço aos presentes que vou ganhando no caminho
Meu compromisso, já está estabelecido 
Vou ser feliz, está decidido

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Caso

Eu poderia me casar com você
E fazer acontecer
Aquilo que ontem desejei

Poderia me adaptar
Me conformar
Num novo gerar

Mas esse renov-ar passou
Já provei o feminino
De investir em compartilhar

Agora me reencontrei

Minha raiz aventureira
Quer o mundo desbravar

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Mais além

Quero o gosto de noite na boca do novo
O olhar da lua sorrindo misteriosa
O cheiro cítrico do escuro úmido 

Quero o frescor do orvalho beijando a alvorada
Quero o sol que desperta meu caminhar

Vou me perder na floresta para encontrar outras eus
E sair maior, inteira

Vou mergulhar, vou voar
Até onde a vista não alcançar 
E só o pulsar puder me guiar

Lanço-me ao desconhecido 
Levando apenas um bem na bagagem
A vontade de ir além

domingo, 1 de abril de 2012

Transição

Acostumei 
a te ver nos meus olhos
A te sentir na minha boca
A te ter nos meus braços

Eu abro mão do passado
Eu abro mão do apego
Eu abro mão de querer
Eu abro mão do medo

Eu aceito o novo
Eu aceito a realidade
Eu aceito o diferente
Eu aceito a Sua vontade

Aprendo 
A olhar mais alto
A sentir mais profundo
E a abraçar mais amplo

terça-feira, 27 de março de 2012

Flor que brota fruto

Pinga, molha 
Vaza, transborda 
Sou banhada por essa emoção 
Que me despetala o coração 

Menino, homem 
Forte, frágil 
Tanto aprendi com você 
E tanto me ensinou 

Com você vivi meus maiores sonhos 
E enfrentei meus maiores medos 
Salto que dei em direção a mim mesma 
Semente de um auto-conhecimento tão profundo 

Tudo como você sentia 
Tudo como me dizia 
Tudo como aprendi a ouvir 
Tudo como aprendi a sentir 

Tudo exatamente o que tinha que ser 
Estava certa sua percepção 
Personificação da minha transformação 

Me entreguei de corpo e alma a tudo 
Que queria e que não queria 
Até abandonar o querer 
Para realmente ser 
A existência 

Alma virada do avesso 
Me perdi completamente 
Até que só restava 
Me encontrar 
E me ver 

Hoje sou outra 
Muito mais serena 
Não porque o mar está calmo 
Mas porque aprendi a navegar na tempestade 

Muitas vezes, sem saber 
Você me conduziu à verdade 
Apenas por viver sempre na verdade 

Agradeço por você ter sempre sido 
Simplesmente e precisamente 
Somente e tudo o que você é 
Flor que faz brotar frutos 

Alavanca desta luz 
Manifestação do presente 
Sou infinitamente grata 
E retribuo com meu amor eterno e incondicional 

sexta-feira, 23 de março de 2012

Como

Como você poderia me conhecer
Se nem eu me conhecia
Se minhas ações se transvestiam de ideais
E minhas falas se perdiam nas intenções

Como você poderia me ver
Se o que mais havia entre
Eram nuvens de desejos

E eu, como te saberia
Se tudo que entendia
Era o que de belo cabia nos meus sonhos
E o que não fosse
Era perdoado e esquecido

Agora já não
Foi-se o véu da imaginação
Brota a imagem da visão

Do que é verdadeiro
Não porque quero
Nem porque é belo
Sem julgamento
Nem culpados
Só o que é
Simples e real

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Louca de coração

Mais um salto 
Mais um vôo
Mais um sonho
Mais um tombo

No chão 
Estabacada
Começo a sofrer 
Mas por quê?

Por que se arrepender 
se foi tudo tão bom?

Por que me conformar,
Negar minha loucura?

Se fui
Sou
Serei
Sempre
Eu

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

De partidas e inteirezas

No meio de uma floresta, muito muito longe de qualquer cidade, vivia uma comunidade de pássaros. Eram muitos, de todos os tipos e idades, cada um com as suas cores e os seus cantos. 

Lá, no meio de uma árvore bem alta, vivia uma coruja de olhos estrelados.  Muito séria e muito sabida, ela ficava muito tempo quieta, até que chegava alguém para conversar com ela. Daí, ela falava. E muito. Principalmente quando lhe faziam perguntas.  Ah, a Coruja fazia longas palestras, detalhadas, sobre tudo o que sabia. E sobre o que não sabia, se arriscava. Porque, pensava ela, antes uma pássara sabida, adivinhando, do que um tolo qualquer, inventando. 

A casa da Coruja era muito especial. Uma bela fenda que a Fortuna tinha tratado de fazer em uma das árvores mais frondosas da floresta. Toda decorada e arrumada a seu gosto, tinha bastante espaço e conforto para si e para suas visitas, que não eram poucas. A Coruja era mesmo muito querida e respeitada. Vivia só, por escolha, porque gostava de poder escolher o silêncio quando quisesse. Mas, sentia que aquilo não era tudo, que a vida esperava um pouquinho mais dela.  Um companheiro, quem sabe, poderia ajudar a Coruja a ir um pouquinho mais longe. Ou melhor, mais fundo.

É, e a Coruja conhecia muitos pássaros. Muitos interessantes e muitos interessados. Mas a coincidência de interesses não acontecia facilmente. Então, a Coruja esperava, paciente e contente com sua vida. Estava certa de que o que fosse para acontecer, aconteceria na hora certa. 

E foi numa virada de ano. Muitos amigos pássaros estavam reunidos, a maioria, velhos conhecidos. Um passarinho Curió em especial, muito atraente e talentoso insistia em chamar sua atenção. A Coruja retribuía, atenciosa, mas achava que daquilo nada mais se daria. Até que uma certa hora, quase no fim das festas, o passarinho se achegou numa conversa da Coruja com um casal de amigos, o Tucano e a Beija-flor, e perguntou para eles: Ei, me diga aí, como é que vocês se beijam? Nem me perguntem o porquê, mas aquilo mexeu com a Coruja. A respiração parou, o coração disparou enquanto suas bochechas vermelhas entregavam a situação... Sabe lá Deus que foi que houve, mas a Coruja começou a olhar aquele Curió com outros olhos. 

Além da beleza e talentos evidentes, a Coruja foi notando que o Curió era pássaro bom, de coração nobre. Seu olhar curioso vinha de uma ingenuidade genuína, que já passava da hora de tê-la perdido, mas que a Providência permitiu que a conservasse, quem sabe para a vida inteira. Curió era também muito íntegro e trabalhador. Gostava de estar junto, ajudando. E do seu olhar observador, presente, brotava uma graça, de fazer os outros pássaros rirem e sorrirem. A Coruja foi gostando mesmo do Curió e Curió foi gostando mais da coruja. 

Curió continuou se aproximando e a Coruja foi deixando ele chegar cada vez mais perto. Curió já vivia mais com a Coruja do que em qualquer outro lugar, quando resolveu de mudar de vez para junto da Coruja. Não que Curió e Coruja fosse assim casal muito comum, mas vai entender os mistérios desta vida. 

A Coruja, feliz que era de viver só, foi se acostumando aos poucos com o novo presente. O passarinho era alegre e a Coruja foi gostando cada vez mais de morar com ele. Mas Curió é pássaro de voar solto e disso a Coruja não sabia. De coração tão verdadeiro e fiel, a Coruja achou que o Curió queria mais era sossegar-se por lá. Qual o quê?!? Curió é pássaro que não tem dono. Pode até ter uma só pousada, mas não pode prometer nada. É pássaro desprendido.

Nem Curió sabia direito o que incomodava, quando as coisas começaram a ficar estranhas. A inquietude foi crescendo no peito dos dois. Curió queria sair, mas gostava da Coruja. A Coruja queria que o Curió ficasse, mas amava demais a Liberdade para prendê-lo.

De tanto um querer manter o que o outro quer mudar, a coisa explodiu e Curió falou: eu vou. E foi de saída. Mas, chegando na porta, parou. Virou e olhou para a Coruja, parada, paralisada. A Coruja fechou os olhos, respirou e aceitou. Abrindo os olhos, ergueu a asa direita e acenou um tchau curto. Curió voou. Coruja foi até a janela para ver o vôo bonito do Curió. 

... e lá do alto, a Coruja de olhos estrelados falou: "vai, Curió, voa, que esse céu é seu, vai buscar as luzes que colorem a sua alma. E, quando assim desejar, volte, passarinho, para se nutrir da sua própria fonte, que este ninho também é seu". 

E Curió entendeu que podia ir, sem partir. E foi. E voltou. Livre. Inteiro.