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Sou a poesia que me habita.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Toc toc toc

– Quem é?
– Eu.
– De novo?
– Sim.
– Mas você não tinha ido embora?
– Fui, mas voltei. Como sempre, né?
– Mas dessa vez poderia ter sido para sempre...
– Nossa! Por quê?
– Porque eu cansei... Uma hora cansa, né?
– Cansou de mim? Mas o que você sentia não era amor?
– Era... E é. A questão agora é o que eu sinto por mim. Cansei de sofrer por amor.
– Entendo. Claro... Você sabe que eu sempre quis seu bem. Que te admiro muito.
– Eu sei. Por isso que é tão difícil eu te esquecer. Seria mais fácil se a gente brigasse... Se a gente não se entendesse...
– Mas é pela nossa afinidade que a gente está há tanto tempo nessa, né? Quantos anos mesmo?
– Nove anos...
– Pois é. E você quer acabar com tudo assim? Quer me esquecer para sempre? Você acha que a gente consegue se acostumar a viver sem isso?
– Acho que vai ser melhor assim... Mais leve.
– Hum... Não está parecendo mais leve para mim...
– Agora não, mas vai ficar. Com o tempo...
– Pode ser...
– Sinto muito por te pedir de volta algo tão precioso.
– É... Não posso dizer que é uma surpresa, mas a gente nunca espera que alguém queira deixar de amar a gente.
– Não é fácil para mim também. Mas é preciso.
– Eu sei. Eu entendo. Você sabe...
– Sim. Sempre soubemos. E sempre saberemos.
– Me desculpe por ter te feito sofrer.
– Não se preocupe. Amar é uma escolha, mais inconsciente do que consciente, mas ainda assim uma escolha.
– Como você pode ser tão sensível e tão racional ao mesmo tempo?
– Não sei. É natural. Mas é muito difícil.
– Você vai fazer falta na minha vida.
– Você também.

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